Agropecuária impulsiona balança comercial brasileira e contribui para superávit de R$ 270,87 bilhões

O agronegócio brasileiro voltou a exercer papel importante no desempenho da balança comercial do País. Dados preliminares do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que as exportações da agropecuária cresceram 10,4% até a segunda semana de agosto, na comparação com a média diária registrada no mesmo período de 2025.

As vendas externas do setor movimentaram aproximadamente R$ 18,15 bilhões no período, ajudando a ampliar o resultado positivo das contas externas brasileiras. No acumulado de 2026 até a segunda semana de agosto, o Brasil alcançou um superávit comercial de aproximadamente R$ 270,87 bilhões, alta de 29,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A corrente de comércio — resultado da soma das exportações e importações — também avançou e chegou a cerca de R$ 2,17 trilhões, crescimento de 8,5%.

Exportações superam R$ 83 bilhões em agosto

Somente até a segunda semana de agosto, o Brasil exportou aproximadamente R$ 83,69 bilhões, enquanto as importações somaram R$ 67,87 bilhões. O resultado garantiu um saldo positivo de cerca de R$ 15,86 bilhões no período.

Na comparação com agosto de 2025, a média diária das exportações brasileiras aumentou 14,3%, enquanto as importações cresceram 16,2%. A corrente de comércio atingiu aproximadamente R$ 151,56 bilhões, avanço de 15,1%.

Dentro do setor agropecuário, alguns produtos apresentaram forte crescimento nos embarques. O maior avanço foi registrado nas exportações de animais vivos, excluindo pescados e crustáceos, com alta de 180,7%.

Também se destacaram o café não torrado, cujas vendas externas cresceram 22%, e a soja, com aumento de 13,2%.

O desempenho, porém, não foi uniforme entre todas as cadeias produtivas. As exportações de milho não moído recuaram 25,6%, enquanto os embarques de mel natural caíram 32,9%. O grupo de sementes oleaginosas, que reúne produtos como girassol, gergelim, canola e algodão, apresentou retração de 42%.

Produtos processados ganham espaço

Além das commodities agrícolas, os produtos ligados à transformação industrial do agronegócio também registraram resultados expressivos.

As exportações de carne de aves e miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas, cresceram 48,1% na comparação anual. Já os embarques de farelo de soja, alimentos para animais e farinhas de carnes e outros produtos de origem animal avançaram 55,8%.

O resultado reforça a participação dos produtos processados na pauta de exportações e beneficia diferentes segmentos da cadeia produtiva, incluindo frigoríficos, indústrias de processamento, armazenagem, transporte e demais atividades ligadas ao agronegócio.

No conjunto da economia, a indústria extrativa também teve desempenho positivo, com exportações de aproximadamente R$ 22,68 bilhões, alta de 27,8%. A indústria de transformação respondeu por cerca de R$ 42,02 bilhões, crescimento de 8,8%.

Importações do agro recuam

Enquanto as exportações avançaram, as importações da agropecuária apresentaram queda de 5,3%, totalizando aproximadamente R$ 1,04 bilhão até a segunda semana de agosto.

Entre os produtos que tiveram redução nas compras externas estão trigo e centeio não moídos, com retração de 8,2%, e soja, com queda de 8,7%.

O recuo também foi significativo na aquisição de insumos agrícolas. As importações de fertilizantes brutos diminuíram 65,7%, enquanto as compras de adubos e fertilizantes químicos recuaram 27,3%.

Esse movimento pode estar relacionado a fatores como formação de estoques, preços internacionais, alterações no calendário de aquisição ou mudanças no ritmo de contratação de insumos para as próximas safras.

Em contrapartida, as compras externas de produtos hortícolas frescos ou refrigerados aumentaram 74,4%. As importações de pescados inteiros, vivos, mortos ou refrigerados também cresceram, com alta de 24,1%.

Resultado acumulado reforça força do comércio exterior

No acumulado de janeiro até a segunda semana de agosto, as exportações brasileiras chegaram a aproximadamente R$ 1,22 trilhão, crescimento de 10,5% em relação ao mesmo período de 2025.

As importações somaram cerca de R$ 949,51 bilhões, alta de 6,1%.

Os números mostram que, mesmo diante de desempenhos diferentes entre as cadeias produtivas, o agronegócio continua sendo um dos principais motores do comércio exterior brasileiro. A combinação entre maior demanda internacional por produtos agrícolas, avanço das exportações de carnes, café e soja e crescimento dos produtos processados contribui diretamente para a geração de divisas e para a manutenção do saldo positivo da balança comercial.

Fonte: Pensar Agro

Publicado em:20 ago. 2026, 02 PM

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