Após resgates em 2025 animais silvestres sem condições de soltura passam a viver sob guarda credenciada em MT
Em 2025, o trabalho de acolhimento e destinação de fauna silvestre em Mato Grosso revela um cenário que vai além do resgate. Dos 1.450 animais encaminhados à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) ao longo do ano, 52 apresentaram sequelas permanentes ou limitações físicas que inviabilizaram o retorno ao habitat natural. Para esses casos, a alternativa é a guarda legal, exercida por cidadãos previamente credenciados pelo órgão ambiental.
O interessado precisa estar regularmente cadastrado na Sema, apresentar documentação completa, comprovar residência em Mato Grosso e não possuir autuação por crime ambiental. Após análise de perfil e vistoria da estrutura disponível, a guarda provisória é concedida pelo prazo de seis meses, podendo ser renovada mediante nova avaliação.
Atualmente, a secretaria conta com 31 guardiões ativos, sendo que sete foram habilitados no último ano. Em 2025, 29 pessoas manifestaram interesse em integrar o cadastro, mas a maior parte teve o pedido indeferido por não atender às exigências mínimas de infraestrutura e condições adequadas de bem-estar às espécies pretendidas.
No último ano, 24 animais foram destinados a novos tutores credenciados. A maior parte é composta por aves — principalmente papagaios — oriundas de apreensões ou entregas voluntárias. Muitas apresentam fraturas nas asas, distúrbios metabólicos ou quadros nutricionais graves que impedem o voo e, consequentemente, a sobrevivência em liberdade. Também são recorrentes casos de psitacídeos, como araras e periquitos, vítimas de amputações decorrentes de acidentes com linha de pipa.
Além das novas concessões, 28 termos de guarda foram renovados, contemplando espécies como corujas, macacos, jabutis e papagaios. Nesses casos, o procedimento envolve vistoria técnica ou apresentação de atestado sanitário que comprove as condições adequadas de manejo e saúde do animal.
Entre os exemplos de dedicação está Irene Bernardino Giostri, guardiã credenciada há cinco anos. Atualmente, ela mantém sob seus cuidados sete animais recebidos em diferentes períodos da parceria com a Sema. O grupo inclui um lobete, dois quatis diagnosticados com osteopenia — condição que fragiliza os ossos e eleva o risco de fraturas —, dois macacos-prego (um amputado e outro com fratura estabilizada por placa), um papagaio com parte da asa amputada e uma arara com comprometimento no bico.
Segundo Irene, o trabalho envolve manejo alimentar específico, acompanhamento veterinário e administração de medicamentos quando necessário. Em alguns casos, a evolução clínica permite a reabilitação e posterior soltura. Em outros, a missão é assegurar qualidade de vida permanente em ambiente controlado, próximo à natureza e com segurança.
Ela destaca que a possibilidade de devolver um animal reabilitado ao habitat natural é uma das experiências mais marcantes da atividade. “Desde a chegada, cercados de cuidados, até o momento da soltura, é um processo intenso. Ver o retorno ao ambiente natural gera a sensação de dever cumprido e de ter contribuído para que aquele ser tenha uma nova oportunidade”, afirma.
O modelo de guarda credenciada reforça a corresponsabilidade entre poder público e sociedade civil na proteção da fauna, garantindo que animais impossibilitados de sobreviver sozinhos tenham assistência adequada e, sempre que possível, uma segunda chance na natureza.
Fonte: Redação com Assessoria
