Bem-estar vira prioridade e redefine hábitos e consumo
O bem-estar consolidou-se como eixo central das decisões de consumo e do estilo de vida em 2026. O autocuidado deixou de ser pontual e passou a orientar escolhas contínuas, pressionando marcas e serviços por mais transparência, personalização e credibilidade.
Estudo da consultoria global Circana, divulgado em outubro, indica que 83% dos consumidores nos Estados Unidos declaram praticar autocuidado. O índice é de 75% no Canadá e na Europa e chega a 67% na Austrália. Para Daniel Morimoto, vice-presidente da Circana para a América Latina, o movimento reflete uma visão ampliada de saúde, que envolve nutrição, sono, imunidade, bem-estar emocional, estética e relações sociais, impactando setores como alimentação, beleza, tecnologia, moda e entretenimento.
A mudança também se manifesta na rotina das pessoas. Segundo Krissy Ladner, diretora da Herbalife, 2026 será marcado por personalização, praticidade e foco no bem-estar de longo prazo, com avanços sustentados por pequenos hábitos diários. Tendências como maior atenção à saúde intestinal, manejo do estresse por meio da alimentação e práticas como caminhadas, meditação e yoga ganham força, assim como a exigência por rótulos claros e ingredientes compreensíveis.
A tecnologia tem papel relevante nesse cenário. Recursos como inteligência artificial, dispositivos vestíveis e dados biométricos ampliam o acesso ao autocuidado personalizado, antes restrito a ambientes clínicos. Aplicativos de nutrição, monitores de sono e avaliações com apoio de IA passam a orientar decisões baseadas em dados, não em suposições.
No campo da atividade física, o discurso dominante é o da constância. Dados do estudo NIQ/Estilos de Vida 2024 mostram que 86% dos brasileiros já adotaram ao menos um hábito mais saudável. Especialistas reforçam que pequenas ações repetidas têm mais chance de se consolidar do que mudanças radicais. O cirurgião vascular Gustavo Solano destaca que a evolução deve ser gradual para evitar lesões e abandono, enquanto o nutricionista Dereck Oak defende a reorganização da rotina alimentar, com prioridade para alimentos in natura e redução de excessos, sem medidas extremas.
O resultado é um reposicionamento do bem-estar: deixa de ser acessório e passa a orientar consumo e comportamento. Para o mercado, o recado é direto. Marcas que entregam clareza, confiança e jornadas personalizadas tendem a acompanhar a próxima onda. As que apostam apenas em promessas superficiais correm o risco de ficar para trás.
Fonte: Lisiane Mossmann/Correio do Povo
