Canetas emagrecedoras viram alvo de furtos e roubos em farmácias de Mato Grosso
Os furtos e roubos em farmácias de Mato Grosso passaram por uma mudança de perfil nos últimos anos. Se antes os criminosos buscavam principalmente dinheiro nos caixas, agora medicamentos de alto valor, especialmente as chamadas canetas emagrecedoras, estão entre os principais alvos. A avaliação é do presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos de Mato Grosso (Sincofarma-MT), José Antônio Parolin.
Segundo ele, até 2020, era comum que os criminosos levassem quantias entre R$ 200 e R$ 500 dos caixas. Com a redução do uso de dinheiro em espécie e a popularização dos pagamentos digitais, os valores disponíveis diminuíram, o que, na avaliação do dirigente, contribuiu para a queda dessas ocorrências entre 2020 e 2023.
A partir de 2023, porém, o sindicato começou a observar uma mudança nos produtos visados. Medicamentos como o Mounjaro, utilizado no tratamento do diabetes tipo 2 e também associado à perda de peso, passaram a atrair a atenção de criminosos devido ao alto valor de mercado.
Os episódios reforçam a preocupação do setor com os prejuízos provocados por crimes envolvendo produtos de alto valor.
Alto valor favorece o interesse dos criminosos
De acordo com Parolin, uma caixa com quatro canetas emagrecedoras pode custar entre R$ 1,8 mil e R$ 2 mil. Assim, o furto de 50 caixas pode representar um prejuízo próximo de R$ 100 mil, dependendo do medicamento.
O dirigente também aponta a possibilidade de revenda ilegal pela internet ou em estabelecimentos clandestinos. Na avaliação dele, o interesse por produtos específicos pode indicar a atuação de grupos organizados, hipótese que depende de investigação.
Munhoz concorda que o valor elevado dos medicamentos e a possibilidade de revenda ilegal podem ajudar a explicar o interesse dos criminosos, mas reforça que não encontrou estudos ou estatísticas que comprovem uma relação direta entre as mudanças nos meios de pagamento e o aumento dessas ocorrências.
“A gente pode fazer uma relação assim por percepção, mas eu busquei aqui indicadores de criminalidade pelo país e não encontrei nenhuma relação direta sobre isso”, afirmou.
Diante do cenário, o Sincofarma-MT recomenda que as farmácias mantenham estoques reduzidos de medicamentos de alto valor, preferencialmente em quantidade suficiente para um ou dois dias de vendas, conforme o prazo de reposição dos distribuidores.
O sindicato também orienta os estabelecimentos a contratar seguros que cubram prejuízos decorrentes de furtos e roubos.
Entre as medidas de proteção adotadas pelo setor estão o uso de cadeados, cofres e geladeiras com sistemas de segurança. Ainda assim, segundo Parolin, há registros de suspeitos que arrombam os equipamentos ou ameaçam funcionários para ter acesso aos medicamentos.
Em caso de abordagem criminosa, a orientação é que os funcionários não reajam e priorizem a própria segurança. Após a ocorrência, o estabelecimento deve registrar boletim de ocorrência e comunicar o caso à seguradora, quando houver cobertura.
Fonte: Redação
