Cidades do agronegócio puxam crescimento populacional de Mato Grosso, aponta IBGE
O avanço do agronegócio continua refletindo também na dinâmica populacional de Mato Grosso. Municípios reconhecidos pela forte produção agrícola e pela expansão econômica apresentaram, em 2026, taxas de crescimento populacional superiores à média estadual, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Enquanto Mato Grosso registrou crescimento de 1,46%, diversos municípios ligados ao chamado “Polo do Agro” tiveram desempenho acima desse percentual. O maior crescimento proporcional foi registrado em Campo Verde, com 5,94%, seguido por Vale de São Domingos (5,22%), Querência (4,08%), Lucas do Rio Verde (3,65%), Nova Mutum (3,48%), Sinop (3,43%) e Sorriso (3,26%).
O resultado acompanha o processo de expansão econômica e atração de trabalhadores, empresas e investimentos observado em diferentes regiões do estado. Municípios como Sinop, Sorriso, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Campo Verde estão entre os principais centros urbanos impulsionados pela atividade agropecuária e pela cadeia de serviços, comércio, indústria e logística associada ao setor.
Vera chega a 10,9 mil habitantes
Entre os municípios do Norte de Mato Grosso, Vera aparece com população estimada em 10.930 habitantes, ocupando a 63ª posição entre os 142 municípios do estado. A cidade apresentou crescimento populacional de 1,60%, percentual ligeiramente superior à média estadual de 1,46%.
O levantamento coloca Vera entre os municípios que mantiveram evolução positiva da população em 2026, em um cenário de expansão demográfica observado em diferentes cidades do interior mato-grossense.
Cuiabá continua na liderança
Apesar do crescimento mais acelerado registrado em municípios do interior, Cuiabá permanece como a cidade mais populosa de Mato Grosso, com estimativa de 698.917 habitantes.
Na sequência aparecem Várzea Grande, com 323.172 moradores; Rondonópolis, com 268.202; e Sinop, com 231.452. Juntos, os quatro maiores municípios concentram mais de 1,5 milhão de habitantes, representando aproximadamente 39% da população mato-grossense.
Cuiabá também ocupa a 31ª posição entre os municípios mais populosos do Brasil e permanece como a quarta maior cidade da região Centro-Oeste.
Na região metropolitana, Várzea Grande apresentou crescimento de 1,33%, enquanto Cuiabá teve alta de 1,02%.
Crescimento desigual
Os números do IBGE também mostram que o crescimento populacional não ocorre de maneira uniforme em Mato Grosso. Enquanto algumas cidades registram expansão significativa, outras enfrentam redução no número estimado de habitantes.
General Carneiro apresentou a maior queda, de 6,43%, seguido por Jauru (-4,56%), Cotriguaçu (-3,64%), Guiratinga (-2,70%) e Alto Paraguai (-2,52%).
No outro extremo, além de Campo Verde, destacam-se entre as maiores taxas positivas Vale de São Domingos, Querência, Lucas do Rio Verde e Nova Mutum.
Municípios pequenos
O levantamento também evidencia a grande diferença demográfica existente entre os municípios mato-grossenses. Araguainha, com 989 habitantes, é o menor município do estado, seguida por Reserva do Cabaçal (1.978), Serra Nova Dourada (1.981), Novo Santo Antônio (2.041) e Ponte Branca (2.119).
Os dados reforçam o perfil demográfico diversificado de Mato Grosso: de um lado, grandes centros urbanos e municípios do agronegócio que atraem população e investimentos; de outro, pequenas cidades que enfrentam desafios relacionados à redução ou à estabilidade populacional.
Dados subsidiam repasses e políticas públicas
As estimativas populacionais do IBGE constituem uma das principais referências para o planejamento e a gestão pública no Brasil. Os dados são utilizados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) no cálculo dos coeficientes de distribuição do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e do Fundo de Participação dos Estados (FPE), além de subsidiarem a formulação, a implementação e a avaliação de políticas públicas nas áreas de saúde, educação, assistência social, infraestrutura e planejamento territorial.
OficialProduzidas anualmente pelo IBGE desde 1975, as Estimativas da População informam o total de habitantes dos municípios e das unidades da Federação com data de referência em 1o de julho de cada ano. Desde 1992, os resultados são publicados no Diário da União, atendendo a determinações legais e fornecendo uma base oficial para a administração pública em todas as esferas de governo.
A divulgação anual dessas informações atende ao artigo 102 da Lei no 8.443, de 16 de julho de 1992, alterado pela Lei Complementar no 143, de 17 de julho de 2013, que determina a publicação das populações municipais e estaduais pelo órgão competente do Poder Executivo Federal.
Como o IBGE calcula as estimativas
Segundo a nota metodológica do IBGE, as estimativas municipais para 2026 foram produzidas a partir das Projeções da População do Brasil e das Unidades da Federação, Revisão 2024, incorporando os resultados do Censo Demográfico 2022 e informações provenientes dos registros de nascimentos e óbitos.
Para os municípios, o instituto utiliza o método AiBi, desenvolvido em 1972, que combina as projeções populacionais mais recentes para o Brasil e as unidades da Federação com as tendências de crescimento observadas entre os dois últimos Censos Demográficos. Os cálculos também incorporam atualizações da divisão político- administrativa do país, refletindo alterações territoriais ocorridas após os censos utilizados como base.
O IBGE ressalta que não produz projeções populacionais para os municípios. As projeções oficiais são elaboradas apenas para o Brasil e para as unidades da Federação, com horizonte até 2070. As estimativas municipais são derivadas dessas projeções estaduais e ajustadas para garantir que a soma das populações dos municípios corresponda ao total projetado para cada unidade da Federação.
Fonte: Redação

