Em virada inédita nas eleições no Brasil, Lula é reeleito para o 4º mandato
O presidente Lula (PT) havia perdido por 2,2 milhões de votos em 4 de outubro, no 1º turno e venceu agora por 4,3 milhões de diferença para Flávio Bolsonaro (PL).
A virada histórica deste domingo (25) para o quarto mandato foi manchete da versão online dos principais jornais do mundo.
As matérias destacaram a vitória inédita de um candidato que ficou atrás no primeiro turno, o peso do resultado para a direita da América Latina e a confusão provocada pela prorrogação do horário de votação.
Virada sem precedente
O ineditismo foi o ponto de partida da maioria das coberturas. O britânico The Guardian chamou o resultado de reação dramática e lembrou que, desde a redemocratização, nenhum segundo colocado no primeiro turno havia vencido a disputa final.
A BBC classificou a vitória como uma grande surpresa para a campanha de Flávio e destacou que a disputa foi decidida numa votação apertadíssima.
A Al Jazeera, do Catar, foi pelo mesmo caminho e tratou o resultado como uma virada surpreendente.
O jornal alemão DW (Deutsche Welle), em sua edição em português, publicou que Lula “derrota bolsonarismo e conquista 4º mandato”.
O espanhol El País descreveu a vitória como uma remontada épica e registrou que se confirmou, mais uma vez, a regra segundo a qual quem vence em Minas Gerais vence a eleição nacional.
O argentino Clarín, que acompanhou a votação com enviado especial a Brasília, destacou na manchete que Lula virou a eleição e ficará mais quatro anos no poder.
Três dos jornais apontaram a queda da abstenção como uma das chaves do resultado.
The Guardian, El País e Le Monde registraram que o índice caiu de 21,08% no primeiro turno para 19,21% no segundo.
Para o Guardian, o comparecimento era a principal aposta dos aliados de Lula, porque a abstenção recorde da primeira rodada atingiu sobretudo eleitores que moram longe dos locais de votação.
Contraponto à direita na região
O El País foi o mais enfático ao relacionar o resultado ao cenário internacional. O título da cobertura afirma que Lula “freia o avanço da extrema-direita no Brasil”, e o texto diz que a vitória dá fôlego à esquerda no mundo.
Para a editora de América Latina da BBC, Vanessa Buschschlüter, o resultado contraria uma tendência regional de punição a governos no poder e de eleitores votando à direita, como ocorreu na Argentina, no Chile e na Colômbia. A DW incluiu também o Peru nessa lista.
O Guardian afirmou que a derrota de Flávio é um revés para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que esperava ver mais um aliado chegar ao poder na América Latina.
O jornal também disse que o resultado é uma má notícia para Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos e esperava ser libertado se o filho vencesse.
O americano The New York Times destacou na manchete que o Brasil reelegeu Lula e rejeitou o filho do antecessor. No texto de apoio, lembrou que Jair Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe depois da eleição de 2022.
Dia caótico
A prorrogação do horário de votação, determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), ocupou boa parte das coberturas. O francês Le Monde resumiu o domingo como “uma jornada caótica de votação” e atribuiu a falta de ônibus a decisões de prefeitos de algumas cidades.
A correspondente do Le Monde acompanhou um protesto de militantes do PT no bairro da Bela Vista, em São Paulo, contra o fechamento de uma seção às 17h. Segundo o relato, eleitores que chegaram depois do anúncio da prorrogação não conseguiram votar.
A BBC ouviu uma mesária de São Paulo que disse que ninguém sabia como agir depois do anúncio, porque as urnas já estavam guardadas.
O Clarín registrou que a apuração já tinha começado, com 0,25% das urnas contabilizadas, quando a prorrogação foi determinada.
Para a DW, a decisão inédita gerou dúvidas entre mesários e alimentou o temor de que o resultado seja contestado. O texto citou a declaração do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que disse antes do resultado que “ou a gente ganha ou a gente ganha”. A BBC também registrou que a campanha de Flávio havia levantado dúvidas sobre o processo antes da divulgação do resultado.
Desafios do quarto mandato
Parte dos jornais já projetou as dificuldades do próximo governo. A DW afirmou que Lula deve enfrentar uma Câmara e um Senado mais hostis, com bancadas bolsonaristas ampliadas no primeiro turno.
O Clarín destacou o endividamento das famílias, sobretudo as de menor renda, como um problema que pesou sobre a base tradicional do presidente.
A DW também lembrou que, ao fim do quarto mandato, Lula terá somado 16 anos na Presidência, atrás apenas de Getúlio Vargas, e deve quebrar o próprio recorde de presidente mais velho a tomar posse.
Fonte: R7
