Fiemt rebate fala de candidato ao governo sobre isenções e diz que incentivos sustentam empregos e investimentos
A Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) reagiu às declarações do senador e candidato ao Governo Wellington Fagundes (PL) sobre os incentivos fiscais concedidos pelo Estado e cobrou “responsabilidade com os fatos” no debate. A manifestação ocorreu depois de Wellington afirmar, em entrevista à TV Centro América nesta terça-feira (15), que o atual governo teria concedido R$ 55 bilhões em isenções, beneficiando principalmente grandes empresários.
“Nesse governo, ao todo foram R$ 55 bilhões de isenção, que está indo só para os grandes [empresários]. Vamos exigir que esses grandes contribuam melhor com nosso estado, porque precisamos industrializar”, declarou Wellington.
A Fiemt apresentou uma posição diferente. Em nota, a entidade defendeu a manutenção dos programas de incentivos e argumentou que esses mecanismos são utilizados para compensar dificuldades estruturais enfrentadas por empresas instaladas em Mato Grosso e aumentar a competitividade do Estado.
“A Fiemt reafirma que discutir o futuro dos incentivos fiscais exige responsabilidade com os fatos e a preservação de instrumentos que estimulem investimentos, agreguem valor à produção, fortaleçam a indústria e ampliem as oportunidades para a população, promovendo competitividade, geração de empregos e o crescimento de Mato Grosso”, afirmou a entidade.
Fiemt contesta ideia de privilégio
Na nota, a Federação rejeitou a caracterização dos incentivos como privilégios concedidos ao setor empresarial. Segundo a entidade, trata-se de uma política de desenvolvimento criada para reduzir desvantagens enfrentadas pelas empresas que produzem no Estado.
A Fiemt cita o estudo “Custo Mato Grosso” e afirma que produzir no Estado representaria um custo adicional de R$ 38,5 bilhões em comparação com estados das regiões Sul e Sudeste. Entre os fatores apontados estão deficiências de infraestrutura rodoviária, ferroviária e energética, distância dos principais mercados consumidores e dificuldades relacionadas à disponibilidade e qualificação de mão de obra.
A Federação sustenta ainda que Mato Grosso possui 16.891 indústrias, responsáveis por 203.514 empregos formais e por uma massa salarial de R$ 6,6 bilhões. Conforme os números apresentados pela entidade, o PIB industrial alcançou R$ 36,84 bilhões em 2025, equivalente a 15% da economia estadual.
Entidade cita retorno de R$ 4,66 para cada R$ 1 renunciado
Para sustentar a defesa dos programas, a Fiemt recorreu ao Relatório Anual de Desempenho dos Incentivos Fiscais de 2025, elaborado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec). O governo disponibiliza oficialmente o relatório e também divulgou que, naquele exercício, cada R$ 1 de renúncia fiscal esteve associado a R$ 4,66 em investimentos privados.
Segundo os dados reproduzidos pela Federação, a renúncia fiscal somada do Prodeic, Proder MT e Proalmat atingiu R$ 6,40 bilhões em 2025. No caso específico do Prodeic, a entidade informa que 1.242 empresas são beneficiárias e respondem por aproximadamente 82 mil empregos diretos.
“Conforme relatório, os dados mostram que, em 2025, para cada R$ 1 de renúncia fiscal, foram gerados R$ 4,66 em investimentos diretos no estado, fortalecendo a economia, ampliando a renda e sustentando a arrecadação pública”, argumentou a Fiemt. O indicador expressa a metodologia do relatório de desempenho e não significa, isoladamente, que cada real renunciado tenha retornado diretamente como receita tributária aos cofres estaduais.
Federação alerta para impacto sobre investimentos
Outro argumento apresentado pela Fiemt é que a retirada dos incentivos poderia reduzir a atratividade de Mato Grosso para novos empreendimentos. A entidade sustenta que empresas consideram condições tributárias, infraestrutura, logística e custos de produção antes de decidir onde instalar ou ampliar suas operações.
“Sem essa condição competitiva, a maioria dos investimentos em Mato Grosso poderia não ocorrer, o que significaria menos indústrias, menos empregos, menor geração de renda, menor arrecadação de ICMS e, consequentemente, menos capacidade de investimento em educação, estradas, saúde e segurança pública”, afirmou.
A Federação também argumentou que programas semelhantes são utilizados em outras unidades da federação para atração de empresas e desenvolvimento regional. Ao final da manifestação, classificou os incentivos como “determinantes para a viabilidade econômica” da instalação e permanência de empresas em Mato Grosso.
A manifestação coloca Fiemt e Wellington em lados distintos do debate sobre a política de incentivos fiscais. Enquanto o candidato questiona o volume das renúncias e sustenta que os benefícios estariam concentrados em grandes empresários, a entidade industrial defende que os programas sejam preservados por considerá-los instrumentos de competitividade e desenvolvimento econômico.
Fonte: Redação
