Palanque de Wellington cai nas urnas e arrasta velha guarda da política de MT

A derrota do senador Wellington Fagundes (PL) na disputa pelo Governo de Mato Grosso, neste domingo (4), provocou um impacto que vai além do resultado eleitoral. A vitória de Otaviano Pivetta (Republicanos) também marcou o enfraquecimento de grupos e lideranças tradicionais que, durante décadas, ocuparam posições centrais na política estadual.

Wellington chegou à disputa apoiado por uma ampla aliança, reunindo políticos experientes, estruturas partidárias e famílias com forte presença eleitoral. Apesar da musculatura política, não conseguiu transformar esse apoio em votos suficientes para vencer a eleição.

O resultado atingiu diferentes grupos tradicionais. Entre os exemplos está a família Campos. Jayme e Júlio Campos acumulam mais de cinco décadas de participação na vida pública de Mato Grosso, com passagens pela Prefeitura de Várzea Grande, Governo do Estado, Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa.

Outro grupo afetado foi o da família Riva. Janaína Riva, após sucessivos mandatos na Assembleia Legislativa, decidiu disputar uma vaga ao Senado em 2026, mas não conseguiu se eleger. A tentativa de manter a presença da família no Legislativo estadual com Jéssica Riva também não teve sucesso. Com isso, a família deixou de ter representantes eleitos na Assembleia, encerrando uma presença iniciada ainda na década de 1990.

A derrota ganhou peso político porque Janaína Riva estava no mesmo campo eleitoral de Wellington Fagundes, que também é seu sogro. A aliança aproximou dois grupos tradicionais em torno da mesma candidatura.

Outro nome de destaque atingido pelas urnas foi Eduardo Botelho, que acumulou mandatos e presidiu a Assembleia Legislativa. Ele também não conseguiu retornar ao Parlamento estadual.

O cenário envolve ainda outras lideranças históricas, como Carlos Bezerra, ex-governador, ex-senador e ex-deputado federal, que durante décadas exerceu influência sobre o MDB e as principais articulações políticas de Mato Grosso.

A eleição também evidenciou divisões dentro do próprio campo conservador. Embora Wellington fosse o candidato oficial do PL ao Governo, parte das lideranças da direita apoiou Pivetta. Um dos episódios mais simbólicos foi a manifestação de apoio de Eduardo Bolsonaro, também do PL, à candidatura de Pivetta.

O resultado, portanto, representa mais do que uma mudança no comando do Palácio Paiaguás. As urnas produziram um novo desenho de forças políticas em Mato Grosso e reduziram o espaço eleitoral de grupos que, durante décadas, exerceram influência sobre governos, Legislativo, partidos e eleições.

Isso não significa o desaparecimento dessas lideranças. Muitos continuam com estruturas partidárias, aliados e capacidade de articulação. A diferença é que, em 2026, vários desses grupos perderam simultaneamente posições eletivas que ajudavam a manter sua influência.

Pivetta surge como o principal beneficiário desse rearranjo. Sua vitória ocorreu justamente em uma disputa na qual parte das forças tradicionais se concentrou em torno de Wellington.

Nos bastidores, a expressão “velhas raposas”, utilizada para definir políticos experientes e com longa trajetória de articulação, voltou a ganhar força. A eleição mostrou que esses grupos continuam relevantes, mas também sinalizou uma mudança: experiência, sobrenome e alianças tradicionais já não garantem, por si só, a permanência no centro do poder.

As urnas de 2026, assim, não apenas escolheram o próximo governador de Mato Grosso. Também redesenharam o mapa político do Estado e colocaram em xeque ciclos de poder construídos ao longo de décadas.

Fonte Redação

Palanque teve destaque a "velha guarda" da politica no estado.

Publicado em:05 out. 2026, 02 PM

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