Safra recorde: impulso da soja de MT eleva produção brasileira de grãos a 356,3 milhões de toneladas
A safra brasileira de grãos 2025/26 deve alcançar um novo patamar histórico, com produção estimada em 356,3 milhões de toneladas, conforme o sétimo levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento em abril. O volume representa um crescimento de 1,2% em relação ao ciclo anterior e consolida o bom desempenho do setor, puxado principalmente pela soja, que também registra recorde, com 179,2 milhões de toneladas.
O avanço da oleaginosa compensa a retração observada em outras culturas, como arroz, trigo, algodão, feijão e milho segunda safra. Mesmo diante dessas quedas, o Centro-Oeste segue como principal polo produtor do país, respondendo por 177 milhões de toneladas, o equivalente a 49,7% da produção nacional. Ainda assim, a região apresenta leve recuo de 1,3% frente à safra anterior, reflexo da queda de 4% na produtividade média, que ficou em 4.688 kg por hectare, apesar da expansão de 2,8% na área plantada.
Maior produtor nacional, Mato Grosso deve colher 111,2 milhões de toneladas em uma área de 22,8 milhões de hectares. O resultado é 1,1% inferior ao da temporada passada, impactado pela redução de 3,2% na produtividade, que atingiu 4.877 kg/ha. Em Goiás, a produção também recua, com queda de 5,6%, totalizando 35,3 milhões de toneladas.
Na contramão, Mato Grosso do Sul registra crescimento de 3,7%, com produção estimada em 29,6 milhões de toneladas. No estado, produtores ampliaram o cultivo de sorgo como alternativa ao milho segunda safra, especialmente em áreas que perderam a janela ideal de plantio.
A soja, principal cultura do país, deve alcançar 179,2 milhões de toneladas em uma área de 48,5 milhões de hectares, com altas de 4,5% na produção e 2,4% na área cultivada. No início de abril, a colheita já havia atingido 82,1% da área nacional, com avanço mais acelerado em estados como Mato Grosso e Goiás, onde os trabalhos já se aproximam da conclusão.
Por outro lado, condições climáticas adversas impactaram a produção no Sul. No Rio Grande do Sul, a estiagem registrada entre janeiro e fevereiro atingiu lavouras em fases críticas de desenvolvimento, provocando perdas que chegam a 80% em algumas regiões do Planalto Médio. A produtividade média caiu para 2.769 kg/ha, abaixo do padrão histórico.
A produção total de milho está estimada em 139,6 milhões de toneladas, queda de 1,1%. Enquanto o milho primeira safra cresce 12,2%, alcançando 28 milhões de toneladas, o milho segunda safra recua 3,6%, pressionado por atrasos no plantio e condições climáticas irregulares. Em Mato Grosso, o plantio da safrinha foi finalizado fora da janela ideal em algumas áreas, o que pode comprometer o rendimento.
Outras culturas também apresentam retração. A produção de algodão em pluma deve cair 5,8%, totalizando 3,8 milhões de toneladas, influenciada pela redução de área em Mato Grosso diante da menor rentabilidade. O arroz registra queda mais acentuada, de 12,9%, somando 11,1 milhões de toneladas, reflexo direto da diminuição da área plantada. Já o trigo deve atingir 6,6 milhões de toneladas, recuo de 16%, impactado principalmente pela redução de área no Sul do país. O feijão também apresenta retração, com produção estimada em 2,9 milhões de toneladas, queda de 5,2%.
No cenário climático, a Conab aponta a transição do fenômeno La Niña para uma condição de neutralidade no Pacífico Equatorial, com 53% de probabilidade entre abril e junho. A previsão indica chuvas abaixo da média em estados do Sul e em parte do Centro-Oeste, o que pode afetar o desenvolvimento das culturas de segunda safra e o início do plantio de inverno.
Apesar das incertezas climáticas, as chuvas registradas em março, superiores a 150 milímetros em grande parte do Centro-Oeste, favoreceram o desenvolvimento inicial do milho safrinha e do algodão. Já áreas do sul de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul tiveram volumes menores, com impacto no armazenamento de água no solo.
O próximo levantamento da safra 2025/26 será divulgado em maio pela Conab, trazendo dados mais consolidados sobre as culturas de inverno e de terceira safra, enquanto o monitoramento passa a se concentrar no comportamento das chuvas e no desempenho do milho segunda safra.
Fonte: Redação
